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Fila preferencial: minha primeira vez.

Hoje pela manhã fui buscar meu cartão de usuário do sistema de transporte público de Porto Alegre na loja da ATP (Associação dos Transportadores de Passageiros – POA), no Centro da cidade.

Eu já tinha ido na semana passada, por volta de 14h, mas a fila estava gigante e eu não tinha tempo disponível. No balcão de atendimento me informaram que o melhor horário era entre 9 e 11h da manhã. Cheguei lá às 9:30h. Fila estupidamente longa, resolvi encarar, até que me dei conta de um guichê preferencial com uma placa dizendo:

Preferencial para gestantes, idosos e portadores de necessidades especiais.

Chamei um segurança/fiscal e perguntei a ele o que significava “portador de necessidade especial” escrito na placa. Ele me respondeu prontamente, sem pestanejar:

“São os portadores de quaisquer tipo de deficiência, seja física, visual, auditiva ou mental.”

Nunca, em toda minha vida de deficiente auditivo (ou surdo oralizado, chame como quiser), eu usei guichês especiais. Acho que, por força de vontade, persistência, nunca me considerei deficiente. Fiquei pensando por alguns minutos e refletindo sobre isso… Logo cheguei a uma breve conclusão:

Eu não pedi pra ter essa deficiência; ninguém me consultou e perguntou se eu queria perder a audição. Não tenho culpa nenhuma por adquirir esta deficiência. Por outro lado, eu trabalho, estudo, pago minhas contas e dou bastante dinheiro para o governo, sob forma de impostos. Por esta razão, vou usufruir de um direito meu, garantido por lei.

O breve diálogo prosseguiu:

Eu: “Sou deficiente auditivo e uso aparelho. Eu me encaixo no conceito?”

Ele: “Naturalmente, senhor.”

E entrei na fila preferencial.

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Cadê o freio?!

Post-relâmpago:

Cadê o freio do calendário??? Estamos em Outubro já…. Tá pior que o bonde (de Santa Teresa, Santa Marta, Santa Gertrudes… não me lembro agora…) sem freio lá do Rio de Janeiro.

 


Um balanço do 1º semestre…

Espia só a imagem abaixo:

Lista de Metas(1)

Esse pedaço de papel amassado e rabiscado, colado na porta do meu roupeiro é a minha lista de metas pessoais e profissionais pra 2011. No início deste ano, lá em Janeiro, rabisquei no papel alguns objetivos pelos quais eu buscaria e um prazo para alcançá-los.

Metas têm de ser alcançáveis, dentro das nossas possibilidades, mas com um determinado grau de dificuldade, o suficiente para sentirmos aquele gostinho de vitória. É claro que no meu caso, não são regras rígidas, as quais preciso me submeter religiosamente, mas ao menos eu tento seguir conforme planejei.

E por falar em planejamento, nada me impede de readequar meus objetivos e prazos, conforme o tempo vai passando. Já estamos no final de julho, e resolvi fazer um balanço.

Minhas metas:

  1. Iniciar uma pós-graduação. Prazo: fevereiro (início do ano letivo). Estou fazendo especialização em Gerência de Projetos de TI na UNISUL. check
  2. Doar sangue a cada 3 meses. Prazos: janeiro, abril, julho e outubro. Estive no Hemocentro, daqui de POA, em março. Não me deixaram doar, pois avaliaram que não seria prudente por eu ter a Doença de Crohn. Esta meta foi adiada, pelo menos até eu fazer uma avaliação médica para definir se posso ou não fazer a doação. O novo prazo é outubro. uncheck
  3. Iniciar um curso de inglês. Prazo: a partir do 2º semestre. Ainda está em tempo! clock
  4. Fazer trabalho voluntário. Prazo: a partir de março. Sou voluntário da instituição Gente Nova. check
  5. Obter uma certificação profissional. Prazo: junho. Obtive minha certificação em ITIL v3 Foundations. check
  6. Fazer exercícios físicos regularmente. Prazo: a partir de março. Comecei a fazer natação duas vezes por semana, mas infelizmente tive de fazer uma pausa depois de apenas dois meses. uncheck
  7. Terminar o ano com, no mínimo, R$ ***** ‘pilas’ na poupança. Prazo: dezembro. clock

E tu? Quais são tuas metas?


Minhas impressões sobre o EIA

Este post foi kibado e devidamente autorizado pela Paula Pfeifer, do Crônicas da Surdez.

“Passeei bastante pelos corredores do EIA. O pavilhão de expositores estava lotado destands de todas as marcas de aparelhos auditivos implantes cocleares que existem no Brasil. As fonos ficavam ‘presas’ nas conferências/palestras/apresentações de trabalhos (restrito para elas, não participei) e, nos intervalos, vinham todas para o pavilhão dosstands socializar.

Imaginei que as fonos iriam aos stands para conhecer as novidades tecnológicas e saber dos últimos lançamentos para os seus pacientes, mas confesso que isso me surpreendeu um pouco. Todas as marcas oferecem brindes, como canetas, chaveiros, ecobags, etc. O que notei é que todo mundo estava mais interessado nos brindes do que em qualquer outra coisa. Ok, quem não gosta de um brinde?? No stand da Siemens, onde eu fiquei, observei no máximo umas cinco fonoaudiólogas que estavam interessadíssimas nos produtos e tecnologias. Isso não é uma crítica, é uma constatação – resultado de alguns anos de faculdade de Ciências Sociais, e dos trabalhos de campo de Antropologia e suas rigorosas observações.

Conheci algumas fonos muito apaixonadas pelo que fazem, que contavam com o maior entusiasmo histórias de pacientes que se deram bem com seus aparelhos auditivos. E ouvi muitas outras falando coisas super ‘politicamente incorretas’ e precisei me segurar para não soltar o verbo. Teve uma que, falando sobre uma paciente, soltou a seguinte pérola: “Pobrezinha, tão bonita, dá pena de ver ela ter que se enfeiar com aparelho auditivo“. Sabe quando você fica em três tons de bege?? Pois é.

Fiquei o tempo todo me perguntando porque diabos não existem pessoas com deficiência auditiva trabalhando nessa indústria! É uma indústria feita e direcionada para nós, e é realmente uma tremenda burrice que nenhum deficiente auditivo (usuário de AASI e IC) faça parte dela. Tudo é feito, administrado, pensado, elaborado e criado por pessoas…que ouvem!!! Não tem cabimento. As empresas e marcas deveriam contratar pessoas que NÃO OUVEM para trabalhar com elas, para dar feedback sobre serviços e produtos, para explicar para seus funcionários e fonos como é o mundo das pessoas que vivem sem som.

Falta esse FATOR HUMANO na indústria dos aparelhos auditivos e implantes cocleares – e também na área de saúde, vulgo otorrinolaringologia e fonoaudiologia. Não somos meros consumidores, somos pessoas, temos cérebros, somos bem sucedidos no que fazemos. Não faz sentido que tudo isso seja ‘dominado’ exclusivamente por pessoas que ouvem. Aliás, se alguém souber de alguma marca/empresa que tenha algum consultor ou executivo com deficiência auditiva, por favor, trate de me contar, pois desconheço a existência disso. Falta também o fatorPAIXÃO. Observei muitas pessoas totalmente desanimadas com o fato de estarem ali. E isso me fez perceber o quanto a indústria como um todo perde por não ter a colaboração de talentos humanos que não ouvem e que são apaixonados por este tema, pois vivem e convivem com ele. Não vale a reflexão??

Procurei por pessoas lá dentro que também usassem aparelho auditivo. Não encontrei. Observei as orelhas de todos os funcionários dos stands de todas as marcas e também não encontrei ninguém que usasse AASI. Não vi ninguém com implante coclear. Procurei nos stands algum indício de que as marcas estivessem interessadas no lado humano da surdez e também não encontrei nada que me fizesse acreditar nisso – nenhuma menção a sites, blogs, pessoas com deficiência auditiva, apenas menção a produtos. Acho que eu era a única pessoa lá dentro comdeficiência auditiva. Raciocinem comigo, não é estranho?? É claro que os profissionais são mais do que aptos a conversar e trocar idéias sobre os aparelhos e seus benefícios, mas não seria enriquecedor para eles mesmos (fonoaudiólogos e pessoal das marcas que vendem AASI e IC) trocar idéias e conversar com as pessoas que efetivamente usam esses produtos na vida real?? Não consigo parar de pensar nisso. Sinto como se fôssemos qualificados apenas para assinar um cheque e comprar os produtos, aos olhos das pessoas que os vendem. Ah, se elas soubessem…

Por fim, vi muitos livros interessantíssimos (vou postar sobre eles já já) e CD’s de treinamento auditivo. Procurei por todos nos sites das livrarias virtuais que conheço, mas não estão disponíveis. Imagino que seja preciso adquiri-los diretamente com as editoras. Além disso, não encontrei nenhuma grande novidade em termos de aparelhos auditivos – sei que estou devendo informações para vocês sobre o aparelho à prova d’água que permite até mesmo ouvir música debaixo d’água que a Siemens lançou em Chicago no mês passado, mas ele precisa passar pelos trâmites burocráticos brasileiros (leia-se Anvisa e afins) antes de ser lançado aqui, o que deve acontecer em alguns meses.

Gostaria de agradecer à Siemens por duas coisas: pelo convite (pude me ‘infiltrar’ nesse universo e elucidar várias dúvidas que sempre me acompanharam) e por se preocupar com esse fator humano da surdez sobre o qual eu tanto falo. Afinal, se não se preocupasse, eu não estaria lá dentro divulgando com tanta liberdade este blog sobre deficiência auditiva. E meu enorme muito obrigada também às fonos que foram falar comigo e me contar que conhecem o Crônicas e o indicam sempre para os seus pacientes e familiares.

PS: esqueci um ponto importante. Participei da cerimônia de abertura do EIA. Não havia tradução simultânea para LIBRAS (apesar dos aparelhos de som de ultima geração e do telão) e muito menos closed caption no telão. Acessibilidade, pra quem?”

——

Nota do (UAAAAU! Me senti o máximo agora…) blogueiro:

(Essa, quem me avisou foi a @LakL)

Ontem, o programa  A Liga, da Band, mostrou uma reportagem espetacular sobre deficientes físicos. Mostraram cadeirantes, cegos, portadores de Down e…. e… bem… não mostraram nenhum representante da “categoria surdos”. Sabe o que mais? Sequer colocaram legendas ou um intérprete de LIBRAS no programa que falava sobre (tchan! tchan! tchan!acessibilidade. #EPICFAIL

Acompanhei, no Twitter, trocentas mil pessoas dizendo que amaram o programa, se emocionaram, se mostraram surpresas e estupefatas com a disposição dos deficientes em passar por cima dos obstáculos diários, sejam pessoais ou profissionais.

Pois bem, eu chamo isso de “meu dia-a-dia”. Think about this, e tenha um pouquinho mais de respeito por nós, se não for pedir muito.