Arquivo do mês: agosto 2011

Um dia pra ser lembrado pra sempre

O que vou relatar aqui hoje é uma experiência que passei pela primeira vez na minha vida. Foi um momento incrível, de fazer sentir vivo, de lavar a alma. Achei que seria interessante compartilhar isso com meus milhares (cof! cof!) de leitores.

Semana passada, participei da equipe que foi realizar uma palestra para alunos (adolescentes do 2º Grau) do Colégio Província de São Pedro, daqui de Porto Alegre. O evento faz parte do projeto Congrescola, ministrado pela ONG Gente Nova, a qual me tornei membro há poucos dias. O Congrescola é um (um dos vários!) trabalho voluntário super legal, de conscientização, de passagem de valores como ajudar o próximo, fazer o bem, superação, persistência, de fazer as coisas hoje (e não deixar pra depois), enfim, ser alguém na vida.

Vale lembrar que foi a primeira vez que participei de um projeto da ONG. Antes disso, eu só havia participado de reuniões de planejamento e encontros mensais dos voluntários e membros. Meu papel neste evento era dar um apoio aos palestrantes e ser o fotógrafo oficial da palestra.

Vamos ao ponto:

imagem-de-homens-de-honraDurante a palestra, são mostrados vários trechos de filmes. Estes trechos possuem uma mensagem a ser passada. Por exemplo: um trecho do filme Jerry Maguire (estrelado pelo Tom Cruise) fala sobre ter metas, valorizar a família e as pessoas, sobre não sermos tão materialistas.

Um outro trecho de um outro filme – que não me recordo o nome e tô com preguiça de buscar no Google – falou sobre pessoas que deixaram alguma marca na história da humanidade (Júlio César, Isaac Newton, George Washington, dentre outros).

E por fim, um trecho do filme Homens de Honra, protagonizado pelos atores Cuba Gooding Jr e o eterno Capone, Robert de Niro, que transmitia a mensagem de superação, persistência, não se deixar abater pelas adversidades, seguir em frente.

Me identifiquei demais com esse último.

[PAUSA: deixa de ser preguiçoso(a) e joga o nome do filme no Google se quiser saber do que se trata. Ou aluga o DVD!]

Não sei o que DEABO deu em mim nessa hora, e pedi a palavra à palestrante que ia falar sobre o filme. Senti um misto de coragem e um nervosismo sem igual. Achei que aquela gurizada ali, que tinha entre uns 16 e 18 anos, ia me trucidar vivo! Falar em público NUNCA foi uma virtude minha, mas eu dei a cara a tapa. Senti que era a minha vez de fazer alguma coisa.

Por increça que parível, num total improviso e sem nenhum planejamento, apenas contei a minha história de vida, de ser surdo desde os 3 anos de idade, das minhas dificuldades durante a adolescência, das minhas vitórias e derrotas durante o percurso, até chegar aonde estou hoje: formado, estudando, empregado e cheio de planos ainda.

Minha mensagem pra gurizada que me olhava fixo e – pasmém – prestava atenção em tudo o que eu dizia, foi:

  • Problemas foram feitos para serem resolvidos. Pra todo problema, existe uma solução.
  • Amigos são indispensáveis, mas a Família é tudo!
  • Trace metas, objetivos. E alcance-os! Lute por eles.
  • Aprenda com as adversidades e cresça.
  • Não fique esperando que façam por ti. Faça você mesmo.
  • Quando disserem que tu não consegues, vá lá e faça.

Falei por 10 min. apenas… Mas o que veio depois, logo que terminei de falar e agradeci pela atenção de todos, valeu por alguns anos da minha vida. O inesperado (pelo menos pra mim, ÓBEVEO!) aconteceu: fui aplaudido pelos que estava ali me escutando. Aqueles guris e gurias de segundo grau, que achei que fariam picadinho de mim, estavam batendo palmas pra mim!

Vi pessoas com lágrimas nos olhos. Uma veio me dar um abraço, outra me agradeceu por eu ter dado a ela a oportunidade de ouvir, dizendo que sairia dali repensando alguns valores. Ganhei beijos e abraços. Foi impressionante! Fiz um esforço hercúleo pra controlar minha emoção. E consegui. Um baita ANEMAL, de quase 1.90m, desabando no choro?! Sim, sou eu mesmo! Mas não foi desta vez que chorei. Segurei na raça!

Afinal, o que foi que eu fiz? Nada de mais! Não tem mágica ou receita de bolo. Apenas contei quem eu sou, o que sou, quem me tornei, apesar de ser surdo. Passei um pouco da minha experiência, da minha visão de vida. Na minha opinião, eu ofereci tão pouco de mim, fiz tão pouca coisa, não me custou absolutamente NADA; mas para quem estava ali, para quem absorveu as informações, parece que deixei alguma marca.

Estou fazendo a minha parte, por um mundo melhor. Fiz o meu trabalho voluntário. Fiz o bem. Ajudei alguém a enxergar algumas coisas de maneira mais positiva. Foi um dia pra eu jamais esquecer.

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Congrescola Colégio Província de São Pedro | Agosto de 2011