Arquivo do mês: março 2011

Definitivamente não estou sozinho

Nos últimos dias, tenho participado ativamente do blog Crônicas da Surdez, postando comentários interagindo com os outros visitantes.

Confesso que nunca conheci tanta gente com surdez em toda a minha vida. Mesmo que eu seja um cara muito bem resolvido com minha falta de audição, isso me deixou extremamente feliz. São dezenas de pessoas compartilhando experiências, contando histórias interessantes e engraçadas. Outras contam histórias tristes e desabafam, procurando algum tipo de ajuda ou de apoio.

Independente da situação, isso mostra que não estamos sozinhos. É incrível como eu nunca parei pra olhar à minha volta e procurar ou perceber pessoas com o mesmo problema que eu. Não sei dizer o porque. Talvez pelo fato de eu quase sempre (porque ninguém é perfeito) não dar a mínima pra isso.

Há alguns anos atrás, eu pensava comigo mesmo: “Sou surdo e sei que existem outros por aí, iguais a mim.” e seguia o baile. A ironia da coisa é que eu nunca tinha visto uma pessoa surda igual a mim! Hoje, abro meu MSN e lá estão pelo menos 4 contatos de pessoas surdas  – ou com deficiência auditiva, como preferir – adicionadas só esta semana!

Uma delas, a Aline, de SC, até me cobra pelos posts no meu blog, dizendo que gosta dos meus comentários, seja falando de mim ou incentivando as pessoas. Mais motivo de alegria! Já no blog Crônicas da Surdez, ganhei uma massageada no ego quando a leitora Anna disse que as coisas que escrevo são inspiradoras. Vou começar a acreditar nisso, hein?! E tem ainda a Lak, que conta no blog “Desculpe, não ouvi” as aventuras dela como implantada, com quem troco uns pitacos acerca da surdez.

Enfim, antes tarde do que nunca, estou descobrindo um mundo novo (que na verdade é velho, pois o desavisado aqui é que nunca se deu conta disso) cheio de possibilidades.

É ótimo saber que não estou sozinho.

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Fica, vai ter bolo! Oh, wait… já teve.

Desculpa-esfarrapada-padrão: não postei mais por causa da faculdade (entrega de trabalhos), folga de Carnaval (longe do computador) e porque eu estava achando mais fácil comentar lá no blog da Paula. 😛


Depois que eu completei 18 anos, no dia 26 de março de 1994, não parei mais de fazer aniversário…! É impressionante como o tempo entre uma primavera e outra encurtou. Parece que estou fazendo uns 3 aniversários por ano, de tão rápido que está passando o tempo. Páááára que eu quero descer!!!

Enfim, no sábado passado completei 35 anos. CLAP! CLAP! CLAP!

No fundo do fundo, eu gosto de apagar as velinhas. Na medida em que o tempo passa, fico mais experiente (UAU!), provo novos sabores, adquiro novos hábitos e faço principalmente aquilo que mais gosto de fazer: conhecer pessoas.

Considero essa passagem de tempo extremamente benéfica pra mim e acho que deveria ser para todos. A experiência adquirida ao longo do tempo é fundamental. É um dos meus pilares de apoio. Baseio-me nela para aceitar de boa a minha surdez e compreender as pessoas (ou a ignorância delas) em relação a mim e à minha condição.

Pessoas deveriam ser que nem vinho: quanto mais velho, melhor. Pena que no nosso mundo, algumas viram vinagre, mas isso é outro papo.

Espero fazer muitos aniversários ainda, pois tenho centenas de planos e metas para atingir. Tomara que eu passe os próximos 35 anos correndo atrás dessas metas, afinal, são elas que me mantém em movimento.

A propósito, por falar em objetivos, sugiro uma olhada no vídeo que a Paula postou no Crônicas da Surdez. Clique aqui.


Quem sou eu?

O texto a seguir foi enviado para a Paula Pfeifer, do blog Crônicas da Surdez, como um breve depoimento sobre quem sou e minha história. Como eu havia prometido este depoimento antes de ter a idéia de criar meu próprio blog, em respeito à Paula, estou publicando-o depois da postagem no Crônicas que aconteceu hoje!

Reproduzo-o na íntegra:

Meu nome é Rodrigo, tenho 34 anos pelo menos até o próximo dia 26 de março. Nasci e resido em Porto Alegre. Sou formado em Gestão de Tecnologia da Informação e faço pós-graduação em Gerência de Projetos de Tecnologia da Informação (“TI” para os íntimos. :D). Atualmente trabalho na área de gestão do conhecimento, em uma empresa de (dããã) tecnologia, dentro do Parque Tecnológico da PUCRS, em Porto Alegre.

Sou deficiente auditivo – oralizado – desde meus 3 anos, aproximadamente. Não me recordo bem quanto à cronologia dos acontecimentos, mas isso não tem qualquer importância agora. Comecei a usar aparelho auditivo por volta de 5 anos mais tarde e desde então sou totalmente dependente dele para ouvir “normalmente”. Sem ele – atualmente um modelo Sumo XP, da Oticon – não escuto quase nada, exceto alguns sons abafados e música proveniente de fones de ouvido no nível máximo de volume. Sou craque na leitura labial e, como muitos, falar ao telefone é um parto. Uma salva de palmas para os caras que inventaram o ICQ, o MSN, a mensagem de texto por celular e, mais recentemente o Face Time, da Apple!

Cresci no meio dos mais diversos acontecimentos que envolvem uma deficiência auditiva. Passei por momentos engraçados, tristes, irônicos, interessantes, estressantes, dentre outros. Mas por incrível que pareça, tenho pouquíssimas lembranças da maioria deles. Com o tempo, aprendi a conviver e lidar com essa condição e, melhor ainda, aprendi a tirar algum proveito dela (faça do limão, uma ótima limonada!). Talvez eu não lembre dessas coisas por tratar do assunto com tanta normalidade.

Enfim, vamos deixar a hipocrisia de lado e assumir: às vezes é um fardinho que Deus nos deu para carregarmos, né? Pois acredite ou não, às vezes dou graças a ele por ele ter me dado esse fardinho.

Um exemplo? Se não fosse por ele, eu jamais teria prestado tanta atenção aos meus professores nas aulas, sob risco de perder matérias importantes e ir mal em provas e trabalhos. Sempre fui aluno exemplar e, jogando a modéstia pro alto, continuo sendo!

Outro exemplo? Talvez eu fosse uma pessoa arrogante, ignorante e preconceituosa, iguais àquelas as quais estamos cansados de ver diariamente. Pessoas que não compreendem nossas necessidades e acham que somos aberrações da natureza.

Alguém aí quer ser uma dessas pessoas? Eu não. Prefiro meu fardinho!


Negligência médica: essa M****…

Este post é uma cópia do meu comentário no blog Crônicas da Surdez.

“Lendo o relato da Fga. Marina Souto Dalmaso, lembrei-me de um caso de negligência médica pelo qual passei, na distaaaaaaaante época de piá, em que meus “programas de lazer” eram ir a consultórios e clínicas.

Eu estava com uma forte otite. Na época, eu consultava sempre com uma conhecidíssima autoridade na área de Otorrinolaringologia (meu deus, adoro escrever e pronunciar esta palavra) daqui do RS.

A quanidade de inflamação era tanta que o médico colocou um dreno no meu ouvido. Depois de medicado e orientado, fui pra casa. Até aí, tudo bem. Consulta vai, consulta vem, testes aqui, exames ali. Passaram se várias semanas, até que um belo dia, numa nova consulta, o infeliz “lembrou” que tinha um dreno no meu ouvido e precisava removê-lo.

Acreditem vocês… o dreno estava PODRE. Imaginem a cara da minha mãe ao presenciar aquilo. Isso mesmo! Façam cara de nojo, pensem “blaaaargh!” ou se espantem com um “Capaz?! Como pode isso?!” A famosa autoridade simplesmente não consultou minha ficha (sim, ficha de papel… só pra terem uma idéia! rsrsrs!) e deixou o dreno lá dentro do meu ouvido, por dias a fio.

Enfim, por sorte, nada de grave aconteceu na minha já combalida audição. Mas ficou aquela sensação de total falta de confiança no meu médico (sentimento terrível esse), daquelas que te fazem trocar de profissional e nunca mais voltar no consultório do outro.

Às vezes eu dou risada das situações adversas, mas desta, em particular, não tem como.”